Conversinha ![]() - Dennis, o seu QI é maior ou menor do que 130? - Maior. Tenho os resultados aqui em casa, tudo comprovadinho. - Ah... então você percebeu "aquilo". - Claro que percebi "aquilo". - Coisa chata, não? - Muito. - E...? - Comme on fait son lit, on se couche*. * Conforme você arrumar sua cama, assim se deitará! * * * Peço Desculpas... Tenho estado um chato, irritadiço e deprimido, eu sei. Já descobri a causa: é a proximidade do Dia de Finados. Claro que será muito difícil para mim, então... Desculpem-me; foi sem querer querendo. * * * Stella, que legal!! A Stella passou por aqui e deixou um comentário pra lá de animador. Aliás, ela lançou a semente de um projeto que muito me interessa: "Mutirão da Surra" Calma que eu explico. Ainda é apenas uma ideiazinha malvada. A gente reúne a nossa turma toda e aplica uma chuva de porradas em todo cretino que fez o que não devia com gente boa da blogsfera! Que delícia, hein? Já pensaram? Seria uma mistura do Flash Blog do Matusca com linchamento de estuprador de criancinhas. Puxa! Dá pra desenvolver isso, eu acho! Deixe-me pensar... Hmmm... Falando a sério: Stella, você me animou de verdade! Meu beijo e meu obrigado sincero! STELLA * * * ![]() Fiquei Feliz! Ralph Spegel desistiu de desistir! VIva!!!!!!! Leia tudo lá no Ópio. * * * ![]() * * *
__________ ![]() Aqui vão o meu abraço, a minha gratidão, o meu respeito e estima ao grande contista Dalton Trevisan, em cujas narrativas eu aprendi a viajar, sem receios e sem amarras, desde os meus treze anos. Que Capitu e Bovary o entretenham bastante, aí em seu recanto de sossego, cercado de discrição! * * * ![]() Félix Felícato não tem publicado muito, lá no seu Lucubrando. Aliás, o amigo Félix nunca publica nada apenas porque "já está em tempo de publicar". Escrever eu sei que ele escreve bastante, mas a sua relação com o blog Lucubrando não segue quaisquer moldes corriqueiros. O próprio Lucubrando não é um blog que se possa julgar semelhante a tantos outros. No finalzinho do mês passado, o Lucubrando completou seu primeiro ano de existência. Não fui dar os parabéns, não, porque agora fiquei supersticioso, meus caros, e dei para cismar que festejar aniversário de blog resulta num azar danado. Bobagem, bem sei, mas... para o meu Caderno Mágico esses festejos nunca trouxeram benefício algum. Voltando ao Félix Felícato, quero apenas dizer que ele é - por muitos motivos - uma pessoa especial, detentora de algumas virtudes realmente invejáveis, como a (cada vez mais rara) capacidade de analisar as coisas com total serenidade, sem se deixar contaminar por modismos, preconceitos ou atmosferas. Ele é um apaixonado por música erudita, música de alta qualidade - adora óperas e entende do assunto - mas também cultiva aquele tipo de mente precisa, objetiva como a mente de um cirurgião - que vê o que existe para ver, não o que se desejaria que existisse; então... pronto... ele pega o seu bisturi (raciocínio afiado) e opera (analisa). Assim é o Félix, tal como eu o vejo, mas não é só isso. Félix sabe ser um ótimo amigo, generoso, discreto... parece aquelas grandes árvores copadas, aquelas árvores admiráveis que concedem sua sombra e causam-nos um certo espanto, porque nunca param de crescer. ![]()
"Meine Freuden" F. Chopin
"Tannhäuser" Richard Wagner
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São Paulo, Quarta-feira, Outubro 22, 2003
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Aproveito para esclarecer que não há qualquer semelhança entre o enredo dos meus contos e a vida das pessoas que receberam as dedicatórias. Aliás, eu só crio personagens malucas, gente esquisita ao cubo, que vive situações bizarras. Já pensaram se o povo resolve achar que fulana, amiga nossa, é realmente uma anã bailarina? Ou que sicrano é um deprimidíssimo maquiador de defuntos? Ou, ainda, que aquela outra nossa conhecida gosta de matar criancinhas? Isso para não falar no marquês que mergulha nas mais chocantes loucuras sexuais, e na dona de casa que encontrou uma culta empada falante... dentro de sua prosaica geladeira. Esse povinho só existe mesmo nos domínios da ficção, fiquem sossegados.
São Paulo, Segunda-feira, Outubro 20, 2003
![]() ![]() Em se tratando de Literatura, é sempre muito temerário dizer que um determinado autor não presta, ou que o seu modo de escrever apresenta esse ou aquele "defeito". É mais prudente dizer que não se gosta desse ou daquele autor, não se gosta desse ou daquele estilo, dessa ou daquela abordagem. Há gente muito culta que despreza Flaubert, como existe quem identifique grandes qualidades literárias em Paulo Coelho, e também há os que se comovem com José Mauro de Vasconcelos e não sentem absolutamente nada diante das imortais criações de William Shakespeare.
André Gide, autor de Os Frutos da Terra, detestou a prosa ficcional de Proust e fez com que editora Gallimard recusasse Em Busca do Tempo Perdido. Anos depois, Gide desculpou-se publicamente, tentou remediar e remendar seu deslize, mas já era tarde demais Samuel Johnson, aquele prestigioso crítico inglês do passado, não fez diversas e engraçadíssimas ressalvas a determinadas frases encontradas em Macbeth? Portanto, não serei leviano. Não vou afirmar que José Saramago seja mau escritor. Digo apenas que não gosto do modo como ele escreve, não gosto dos seus enredos, não gosto dos seus personagens, não gosto de suas aberturas, nem de suas conclusões. Quando li A Jangada de Pedra, a única coisa me que trouxe alguma alegria foi - depois de 320 páginas chatíssimas, o encontro daquele confortador ponto final. Já o José Saramago pessoa física, o homem e suas idéias, esse me parece um pavão de óculos, um pomposo que se acredita perfeito ou bem próximo da perfeição (e não tem qualquer pudor em adular ditadores que mandaram prender, torturar, matar ou expulsar de sua pátria um grande número de poetas e de prosadores). Não me comove o fato de ele, o Saramago, ter tido uma infância pobre, de ter sido, nos anos de sua mocidade, um humilde serralheiro. Não, decididamente eu não compraria nenhum gradil feito por ele, nem jamais o teria contratrado para dar um jeitinho na janela do banheiro da minha empregada. Quando ele se for desse mundo, não direi "Que perda!", nem derramarei uma única microlágrima. Uma pessoa que goste muito de beijar tende a imaginar que todos a sua volta comungam desse mesmo prazer, e que beijos só podem fazer bem, tanto a quem os dá, como a quem os recebe. Por isso, tal pessoa sai alegremente pelo mundo a distribuir beijos e acaba decepcionada ao descobrir que há muita gente que não aprecia esse tipo de demonstração de afeto. Outra pessoa, por sentir imenso prazer nas leituras, vive a presentear com livros, e também se entristece ao constatar que seus presenteados não leram sequer aquela primeira página, onde havia uma dedicatória tão carinhosa. O irônico dessa comédia de erros é que, geralmente, aqueles que ganharam beijos haveriam de ficar bem mais felizes se tivessem recebido um bom livro, e os que receberam livros estariam satisfeitos com dois ou três beijinhos e nada mais. Não é bem assim?
Lembre-se: quando você mandar uma carta para Roma, não pretenda que ela seja lida em Nova York.
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